Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

Em três dias de debates, o 3º MediaOn, maior fórum de jornalismo online da América Latina, discutiu os caminhos que as empresas de mídia terão a percorrer em tempos de revolução tecnológica e a mudança no papel que o jornalista desempenha frente ao seu público.

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Com a crescente participação das pessoas nas chamadas mídias sociais, houve consenso em que mais do que relatar, os jornalistas terão de interagir com o seu público. Um dos mais críticos a esse respeito foi Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, para quem os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir como seres humanos. “Os jornalistas online tem de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: ‘isto nós sabemos e isto nós não sabemos’”.

Outro tema abordado com frequência foi a sobrevivência da mídia em papel como ela é hoje, frente ao avanço das tecnologias digitais. Via de regra, a maioria concordou que haverá mudanças, mas nem todos apostam no seu fim a médio prazo. Porém, acreditam que o modelo de negócio passará por uma reestruturação profunda, sob o risco de sua extinção.

Veja alguns trechos de temas relevantes abordados nos três dias do encontro:

Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard
“Os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir com seres humanos. A transição vai ser muito difícil para a maioria. Ainda temos muito a escrever, principalmente para investigar casos de corrupção. A internet treinou as pessoas para que elas recebessem as informações de uma forma social. Os repórteres tem de parar de encarar o seu público como um estorvo. Os jornalistas encaram os e-mails de um leitor como algo chato, principalmente quando endereçados ao editor. É hora de a voz institucional desaparecer. Os jornalistas online tem de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: ‘isto nós sabemos e isto nós não sabemos’”

Marcos Foglia, gerente de novos meios do Clarín Global
“Estamos disputando o tempo das pessoas. Se elas estão fazendo uma coisa, deixam de fazer outra. Se ela está lendo um e-mail, não está navegando pelo conteúdo. É uma disputa incessante”.

Altino Machado, do Blog da Amazônia
“O blog deu dimensão internacional ao meu trabalho. A internet é algo que supera fronteiras. Recebo mensagens de todas as partes do mundo. E pensar que já transmiti matérias por telex, como a da morte de Chico Mendes, em Xapuri, no ano de 1989″.

Danilo Gentili, integrante do CQC
“A graça do Twitter é eu mesmo me comunicando com quem está me lendo. A partir do momento que eu ficar moderando o que está acontecendo, não serei eu verdadeiro. Eu sou uma pessoa como vocês.

Camila Menezes, coordenadora de imagem do técnico Mano Menezes
“Hoje, o Twitter do Mano é uma referência entre os jornalistas e acompanhado de perto por eles. Tenho arquivado mais de 40 matérias geradas a partir desse meio de comunicação. Ele tem mais de 1,1 milhão de seguidores na ferramenta. Meu pai não é um comunicador, mas o Twitter dele virou uma febre”.

Nathalie Malinarich, editora executiva da BBC News online
“É preciso fazer um material voltado para todas as plataformas, como TV, rádio e celulares, entre outros. Nós não temos apenas os vídeos da TV. Nós criamos muito material especialmente para o site. O público tem privilegiado nosso trabalho por conta desse tipo de recurso.”

Antonio Guerreiro, diretor de conteúdo do R7.com
“Eu me divertia muito quando via as definições que davam para o R7 antes de ele ir ao ar. Falavam que vínhamos para concorrer com a Globo, com o G1. Vamos concorrer com todos. A internet estimula a infidelidade e vamos brigar por esse mercado”.

Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado
“O jornalismo nasceu para servir uma comunidade e alimentar ela de informação. A Internet foi feita para jornalismo, ainda que não profissional. A informação bem apurada continua sendo absolutamente necessária para que o mundo continue coeso.”

Fabiana Zanni, diretora de mídias digitais da editora Abril
“Transcrever a revista para os sites não é adequado, temos de agregar conteúdo. Acreditamos que a Abril vai se fortalecer no conceito de 360 graus. No final, isso vai nos levar a uma posição de liderança e a galgar posições melhores no mercado de internet nos próximos anos”.

Pierre Haski, editor chefe do site Rue.89.com
“O jornalismo passa por uma crise moral e buscamos saída para essa crise. A falta de confiança dos leitores pode ser reconstituída na internet. A conversa com eles pode melhorar isso. Nós tivemos muita sorte de ser o primeiro jornal eletrônico diário a ser publicado dessa forma e com esse tipo de pensamento na França”.

Fernando Madeira, presidente do Terra América Latina
“Leva um tempo se construir uma marca. A internet ajuda a construir e destruir isso. Nós que nascemos e crescemos digitais, temos pouco apego às nossas marcas”.

Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco
“Os jornais perceberam que precisam se adaptar de alguma maneira. Não dá mais para ficar disponibilizando conteúdo apenas no papel. As empresas tem de criar o seu DNA de adaptabilidade. Muita gente está tentando fazer coisas diferente”.

André Mermelstein, diretor editorial da Converge Comunicações e responsável pela revista Tela Viva
“Banda larga (celular e internet), estão surgindo todas as novas modalidades de consumo. Esse é o futuro que teremos a curto e médio prazo”.

Júlio Gomes, editor do site ESPN.com.br
“O Twitter é a nossa terceira fonte de audiência. O torcedor quer ver o jogo na TV, rever os gols na internet. Não acho que tudo vai acabar e vai sobrar só internet, mas é preciso integrar as plataformas”.

Luiz Fernando Gomes, editor-chefe do diário esportivo Lance!
“O jornal terá de ser de ‘amanhã’ e não de ‘ontem’. Ele tem de prever e analisar o que vai acontecer. Sobreviverão as empresas de comunicação que souberem se adaptar ao que o público quer, não o que a gente acha que ele quer”.

José Henrique Mariante, editor do caderno de esporte da Folha de S.Paulo
“O jornalismo online é feito de colagem de outras plataformas que existem. Já é um problema na internet distinguir o que é importante ou não. É mais importante dar uma informação mais nova ou dar a informação antiga melhor?”.

José Roberto Toledo, jornalista especializado em política e jornalismo de precisão
“Entre as dicas que eu posso dar está uma apuração precisa. O conceito de publicar antes não vale mais. O que interessa hoje é dar a melhor informação. Apurem bem, procurem as informações mais contextualizadas, com mais de uma fonte. A checagem ganhou mais importância nos dias de hoje”.

Tiago Dória, jornalista e editor de blog sobre cultura, web, tecnologia e mídia hospedado no IG
“É preciso dominar os conceitos e não as ferramentas. Elas são um meio para ir a algum lugar. Hoje é o Twitter, amanhã é outra ferramenta. As ferramentas vão e voltam e os conceitos ficam”.

Os debates de encerramento do 3º MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, realizado na capital paulista dede a última terça-feira, trouxe discussões sobre credibilidade jornalística, importância da checagem das informações no universo da internet e da adaptação que as empresas de comunicação terão de se submeter para sobreviver no mercado que está em mutação e deve sofrer alterações profundas a curto prazo

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O jornalista José Roberto Toledo, diretor PrimaPagina e especializado em política e jornalismo de precisão, deu dicas de como formar uma rede social eficiente no Twitter durante o 3° Media On, maior fórum de jornalismo da América Latina que se encerrou nesta quinta-feira em São Paulo

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O último debate do MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, que se encerrou nesta quinta-feira em São Paulo, discutiu o tema “O que um jornalista precisa para se integrar à era das novas mídias”. O painel contou com a participação de Tiago Dória, jornalista e editor de blog sobre cultura, web, tecnologia e mídia hospedado no IG e José Roberto Toledo, jornalista especializado em política e jornalismo de precisão

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José Henrique Mariante, editor do caderno de esporte da Folha de S.Paulo, afirmou durante o MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, que o jornalismo esportivo online ainda não existe. “O que é feito hoje é uma colagem. O jornalismo online é feito de colagem de outras plataformas que existem

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O editor do site ESPN Brasil Júlio Gomes afirmou durante o 3° MediaOn, em São Paulo, que os grandes veículos de comunicação devem travar uma verdadeira batalha pelos direitos de transmissão de grandes eventos esportivos

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Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco, afirmou durante o MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, que a mídia tradicional terá de se adaptar às novas tecnologias sob o risco de extinção

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O diretor-editorial da Converge Comunicações, responsável pela revista Tela Viva, André Mermelstein, afirmou durante o 3º MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, que todos os meios físicos de transmissão de informações tendem a desaparecer

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O presidente do Terra na América Latina, Fernando Madeira, afirmou no 3º MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, realizado no Itaú Cultural, em São Paulo, que a Internet é o meio de comunicação mais democrático e que, no Brasil, perde apenas para a TV em penetração

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Os debates desta quarta-feira no MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, realizado em São Paulo pelo Terra e Itaú Cultural, trataram dos novos rumos que a revolução tecnológica impõe à profissão e o que as empresas de comunicação estão fazendo para fidelizar os seus usuários

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A filha do técnico Mano Menezes, Camila Menezes, e o integrante do programa CQC, Danilo Gentili, discutiram durante o último debate desta quarta-feira do MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina. Gentili afirmou que o Twitter do técnico corinthiano está repleto de fantasmas entre os seus mais de 1 milhão de seguidores

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A cada nova geração, os jornais são menos lidos e o jornalismo de qualidade é cada vez mais caro. A migração do conteúdo para mídias tradicionais não significa aumento na receita. A fórmula para solucionar estas dificuldades da atividade midiática para o diretor do Clarín Global, Marcos Foglia, é “qualificar” os leitores.

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O gerente de novos meios do Clarín Global, Marcos Foglia, afirmou nesta quarta-feira no MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, que a maior dificuldade na revolução tecnológica vivida hoje é mudar a cultura dos jornalistas, principalmente os mais antigos.

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A editora-executiva da BBC News Online, Nathalie Malinarich, afirmou em entrevista ao Terra que existe uma preocupação para que o conteúdo internacional da emissora não seja um custo para o contribuinte britânico.

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A editora executiva da BBC News online, Nathalie Malinarich, afirmou no segundo painel desta quarta-feira do 3º MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, em São Paulo, que o trabalho na internet tem de ter sempre o público em mente.

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O editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado, Pedro Doria, afirmou na manhã desta quarta-feira que o Estadão.com “está no azul” com a venda de espaços publicitários

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O painel “Revolução Digital – O planejamento dos grandes grupos de mídia num universo de mudanças” abriu nesta quarta-feira os debates do 3º MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, em São Paulo, com a mediação de Milton Jung, ancora do prograna de rádio CBN São Paulo.

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Para Marcos Foglia, diretor do Clarín Global, braço virtual de um dos maiores e mais importantes grupos de mídia argentinos, a preocupação maior do veículo é com qualidade, não viabilidade comercial.

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Joshua Benton é diretor do Neiman Journalism Lab, da Universidade de Harvard

Com o avanço da internet, a sobrevivência dos jornais impressos está em risco e os jornalistas terão de mudar a sua postura profissional. A opinião é de Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos.

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“Não creio que haja menos jornalismo de qualidade hoje”, diz Joshua Benton, em entrevista exclusiva a J&Cia. O jornalista está no Brasil para participar do primeiro painel do MediaOn

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