Credibilidade, checagem e adaptação no 3º dia do MediaOn

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
Os debates de encerramento do 3º MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, realizado na capital paulista dede a última terça-feira, trouxe discussões sobre credibilidade jornalística, importância da checagem das informações no universo da internet e da adaptação que as empresas de comunicação terão de se submeter para sobreviver no mercado que está em mutação e deve sofrer alterações profundas a curto prazo.
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Pierre Haski, editor chefe do site Rue.89.com, citou uma pesquisa recente em que 62% dos franceses não confiam nos jornalistas. José Roberto Toledo, jornalista especializado em política, lembrou da importância da checagem das informações, já que a internet é um território em que os boatos podem ser rapidamente difundidos. Em sua apresentação, Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco, afirma que nos dias de hoje, “não dá mais para ficar disponibilizando conteúdo apenas no papel”.
Veja alguns trechos de temas relevantes abordados nesta quinta-feira:
Pierre Haski, editor chefe do site Rue.89.com
“O jornalismo passa por uma crise moral e buscamos saída para essa crise. A falta de confiança dos leitores pode ser reconstituída na internet. A conversa com eles pode melhorar isso. Nós tivemos muita sorte de ser o primeiro jornal eletrônico diário a ser publicado dessa forma e com esse tipo de pensamento na França”.
Fernando Madeira, presidente do Terra América Latina
“Leva um tempo se construir uma marca. A internet ajuda a construir e destruir isso. Nós que nascemos e crescemos digitais, temos pouco apego às nossas marcas”.
Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco
“Os jornais perceberam que precisam se adaptar de alguma maneira. Não dá mais para ficar disponibilizando conteúdo apenas no papel. As empresas tem de criar o seu DNA de adaptabilidade. Muita gente está tentando fazer coisas diferente”.
André Mermelstein, diretor editorial da Converge Comunicações e responsável pela revista Tela Viva
“Banda larga (celular e internet), estão surgindo todas as novas modalidades de consumo. Esse é o futuro que teremos a curto e médio prazo”.
Júlio Gomes, editor do site ESPN.com.br
“O Twitter é a nossa terceira fonte de audiência. O torcedor quer ver o jogo na TV, rever os gols na internet. Não acho que tudo vai acabar e vai sobrar só internet, mas é preciso integrar as plataformas”.
Luiz Fernando Gomes, editor-chefe do diário esportivo Lance!
“O jornal terá de ser de ‘amanhã’ e não de ‘ontem’. Ele tem de prever e analisar o que vai acontecer. Sobreviverão as empresas de comunicação que souberem se adaptar ao que o público quer, não o que a gente acha que ele quer”.
José Henrique Mariante, editor do caderno de esporte da Folha de S.Paulo
“O jornalismo online é feito de colagem de outras plataformas que existem. Já é um problema na internet distinguir o que é importante ou não. É mais importante dar uma informação mais nova ou dar a informação antiga melhor?”.
José Roberto Toledo, jornalista especializado em política e jornalismo de precisão
“Entre as dicas que eu posso dar está uma apuração precisa. O conceito de publicar antes não vale mais. O que interessa hoje é dar a melhor informação. Apurem bem, procurem as informações mais contextualizadas, com mais de uma fonte. A checagem ganhou mais importância nos dias de hoje”.
Tiago Dória, jornalista e editor de blog sobre cultura, web, tecnologia e mídia hospedado no IG
“É preciso dominar os conceitos e não as ferramentas. Elas são um meio para ir a algum lugar. Hoje é o Twitter, amanhã é outra ferramenta. As ferramentas vão e voltam e os conceitos ficam”.
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- atualizado às 22h58